O tempo, o medo e a vida

Nas civilizações antigas o tempo era medido pelos astros, assim como para se preverem as fases da lua. Por este meio conseguiam antever a melhor altura para caçar e para arar a terra, semear e colher.

A medição do tempo foi socialmente necessário não só como forma de obter alimentos mas também por causa de motivos religiosos.

Hoje em dia a medição do tempo, marca toda a nossa vida e com isso a nossa rotina. A verdade é que todos nós temos uma rotina a manter e quase impenetravelmente podemos fugir dela mas existem horas em que somos como pássaros livres e em que podemos escolher onde queremos estar, com quem e a fazer o que der na real gana sem com isso tornarmo-nos rotineiros natos.

Existe uma grande parte da população que persiste em ser rotineira, sofrendo em silêncio com isso, e fazendo com que a sua vida seja cada vez mais “copy paste”.

Vê-se pessoas de olhar vazio consumido pelo banal e o sem gosto, que outrora foram pessoas que amavam e tinham prazer no que faziam e depois deixaram-se levar pela monotonia e pelo medo.

O medo faz parte de nós desde que estávamos na barriga das nossas mães. Quando elas sentiam medo também nós sentimos mesmo inconscientes e sem o saber experienciamos o medo de algo que para nós não era mais do que o medo do desconhecido.

À medida que fomos crescendo os nossos medos foram-se diferenciando e outros acumulando, uns modificaram-se com o tempo e outros foram superados pelo tempo e pelas nossas experiências.

Se formos a pensar nos nossos antepassados, o medo foi o que os protegeu, se tinham medo de alturas, não se jogavam de penhascos, e se tinham medo de animais selvagens escondiam-se.

Os nossos medos são, muitas vezes, construídos para nos manter vivos e é nos nossos genes que pode ser afectada a nossa habilidade de aprendermos a termos medo, ou de enfrentá-lo.

Muitas vezes o medo também é um obstáculo que nos prende a certas atitudes e não nos deixa ser mais e melhores. Medos são muros que construímos numa outra fase da nossa vida e que agora deixaram de ter o seu propósito. Muitos de nós vivem com o medo da morte, eu pessoalmente apenas não quero sofrer, morrer vamos todos, mas só quando chegar a nossa hora.

O aceitar que a vida é curta e que iremos morrer é aceitar que temos de dar o nosso melhor no intervalo, ou seja que temos de saber viver e aproveitar as coisas boas da vida. A vida é para ser vivida, alargando horizontes, quebrando rotinas, saindo da zona de conforto, respirando fundo e sentir-se livre, fazendo parte do mundo que nos rodeia.

O medo do incerto, de novas apostas, novas perspectivas, novas experiências faz com que o grande bloco da nossa sociedade permaneça retido, aprisionado e num silêncio mórbido.

Quebrar a rotina não significa deixar tudo por fazer, é sim acrescentar algo novo e diferente a cada dia.

Quebrar a rotina também não significa gastar dinheiro (ou muito dinheiro), tome um café num outro sítio ao ar livre, onde possa ouvir pássaros em vez de pessoas a se lamentar; ver borboletas a esvoaçar; apenas ver coisas que estão no seu dia-a-dia e você nem repara…

Aprenda a dar valor aos singelos momentos da sua vida e da vida que o rodeia, deixe-se preencher pela harmonia do universo.

Cada um de nós é parte de um só todo, mas cada um de nós é um mundo em si, todos diferentes e com tantas características tão parecidas, com sonhos e medos similares …e um tempo a passar.

 

©Sandra Faria

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