Ser, ter e a vida

Cada um de nós deve cultivar primeiramente em si a semente do amor-próprio sem egocentrismos. A descoberta de si mesmo é um processo que iniciamos em pequenos embora por vezes (e muitas vezes não cultivados pela sociedade em que estamos inseridos) só começamos a virarmo-nos para dentro quando a vida nos dispõe situações que nos fazem amadurecer, crescer e por vezes fazem-nos andar em loop de situações mal resolvidas dentro de nós. Nestas situações também encontramos o medo, por muitas vezes manifestado por pequenos fragmentos adquiridos em criança, que não nos fazem dar saltos de fé. Acreditar, ter fé em si, naquilo que deseja de coração faz com que as pessoas libertem-se de preconceitos estabelecidos por uma sociedade castradora que cultiva mais o valor do “Ter” do que do “Ser”. As diferentes necessidades humanas influenciam no comportamento ocasionando uma grande diversidade nas relações dos homens (e mulheres) entre si em todos os campos; seja relações de trabalho, amizade, amorosas ou familiares. Muitas pessoas acham que as relações sejam elas quais forem, não devem ser cultivadas, não percebem que as relações são como uma semente que plantamos mas que precisa de terra, água e sol. Cada um destes elementos são essenciais à vida e ao crescimento da semente para tornar-se planta, árvore, etc. Assim são as pessoas, sem os elementos certos como o cultivo do amor, da confiança, da honestidade, harmonia, boa vontade, reciprocidade…

Quando tal não acontece tudo (a planta ou as relações) morre sem esses elementos.

É certo que para colher há que cultivar. Mas também é certo que quem nunca teve não sabe o que é, nunca saberá dar mas também nunca receberá. E se receber, não sabe acolher porque não tem consciência do valor do que está recebendo.

Saberá algum dia perguntamo-nos por vezes, na realidade todos nós temos um caminho a percorrer, lições a aprender, novas perspectivas a apreender e com isso tudo a evoluir enquanto seres humanos que somos.

Não podemos nem devemos obrigar ninguém a ver sob a nossa perspectiva, tiveram experiências diferentes das nossas, temos de aceitar tal como são e por vezes encontraremos alguém com uma visão mais semelhante à nossa.

Muitos outros têm uma total dificuldade de auto analise que criam situações adversas minando os outros que covardemente elegeram para alvo ao invés de buscar as suas próprias respostas para tornarem-se seres melhores, superando-se ao que foram ontem.

O amor é uma experiência amplamente transversal em termos de idade, género ou status social. O amor nem sempre soa da mesma maneira mas tende a ressoar em todos.

Como distinguimos o trigo do joio, nós sabemos porque já tivemos joio e sabemos com o joio não se faz pão. Mas com trigo, sabemos que podemos fazer até mais do que um simples pão. Mas tivemos de passar por situações que nos ensinaram a distinguir as diferenças. E em auto analise, conseguimos manifestar a nossa vontade de queremos joio ou trigo. Há ditados antigos que nos fazem pensar: “ Cada um vê mal ou bem conforme os olhos que têm!”, “Cada um sabe com as linhas que se cose!”, “Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar!”, “Filho és, pai serás, assim como fizerdes assim acharás!”, “A justiça tarda mas não falha!”.

A vida é toda ela feita de experiências que nos definem para bem ou para mal. Somos como somos, com as nossas qualidades e defeitos, mas aceitemo-nos tal como somos.  Não sejamos hipócritas numa sociedade em que “Ter” é “Ser”, porque “ Ter” e não saber o “Ser” pouco vale quando o pedestal de cristal onde se ergueram cai.

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